O médico residente Guilherme Lourenço Monteiro, vinculado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP), na região norte de São Paulo, foi afastado temporariamente de suas atividades. A decisão foi comunicada pela instituição nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, após a publicação de conteúdo inadequado nas redes sociais.

Em 21 de setembro, o profissional compartilhou no X (antigo Twitter) uma captura de tela de um prontuário médico. Na imagem, constavam dados como peso, altura e índice de massa corporal (IMC) de um paciente atendido na unidade. Acompanhava a foto uma legenda que ironizava a condição de sobrepeso do indivíduo, afirmando: "Isso aqui é uma amostra pra vocês entenderem com o que lidamos aqui no Hospital das Clinicas".

Posicionamento do hospital

O HCFMRP-USP classificou a atitude como preconceituosa e inadequada, ressaltando que não condiz com a postura profissional exigida pela instituição. Embora a defesa tenha alegado que a identidade do paciente não foi exposta diretamente, o hospital informou que a conta administrada pelo médico foi cancelada e que um processo interno de apuração ética foi iniciado em conjunto com a Procuradoria Jurídica.

A instituição reafirmou seu compromisso com a ética, o sigilo médico e o cuidado humanizado. Em nota, a Comissão de Residência Médica (Coreme) lamentou o episódio e destacou que os residentes passam por avaliações contínuas de atitudinais e cursos obrigatórios sobre segurança do paciente.

Riscos legais e éticos

Advogados especializados alertam para a gravidade jurídica do caso. Dados como IMC são considerados informações sensíveis protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O advogado Marcelo Tesk explicou que o prontuário é personalíssimo e só pode ser divulgado com autorização prévia e expressa do paciente.

  • Responsabilização administrativa pela universidade;
  • Punição ética junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM-SP);
  • Possíveis ações penais e civis por danos morais.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) afirmou não poder se pronunciar imediatamente, pois atua como instância recursal. O Estadão entrou em contato com o CRM-SP aguardando retorno oficial sobre as medidas disciplinares futuras.