Antes da popularização dos shoppings centers e das compras online, o centro de São José do Rio Preto era o palco principal das celebrações de fim de ano. Em texto publicado em setembro de 2026, o jornalista José Luís Rey reconstrói as memórias afetivas desse período, descrevendo como as famílias percorriam as ruas centrais para iniciar os preparativos natalinos.
O Ritual da Compra de Decoração
A narrativa começa no início de dezembro, com o desembarque de ônibus na rua Voluntários, próximo à Praça Dom José Marcondes. O ponto final marcava o início de um percurso a pé que ia até as Lojas Americanas, na General Glicério. Naquela época, não existia calçadão; pedestres e veículos dividiam o espaço, acompanhados pelo som característico de buzinas e apitos.
A procissão passava pela velha Catedral, aberta ao público, e por lojas icônicas como a Só Suco, na Siqueira Campos. A multidão tornava a caminhada lenta e agitada, transformando a simples ida às compras em uma experiência social intensa.
Comércio Local e Experiências Sensoriais
O roteiro incluía paradas obrigatórias em magazines modernos para a época, como as Casas Regente e a Casa Royal. Nas Regente, enquanto as mães compravam tecidos e brinquedos no terceiro andar, as crianças eram atendidas com sorvetes gratuitos. Outros destinos incluíam a Casa do Linho Puro e a loja do Sr. Parsekian, conhecida pela variedade de produtos.
Além das compras, o autor destaca as sensações olfativas e visuais que definiam o Natal rio-preteno: o aroma de doces na confeitaria A Delícia, o cheiro das andorinhas na Praça Ruy Barbosa, o carrinho de pipoca do Miola e a fonte luminosa que competia pela atenção dos transeuntes com os cartazes do Cine Rio Preto.
