Revisão das estimativas

A mediana do relatório Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a 2026 foi ajustada para cima, passando de 4,90% para 4,92%. O movimento interrompeu uma sequência de três semanas consecutivas de redução nas projeções.

A nova estimativa situa-se 0,42 ponto percentual acima da meta central perseguida pelo Banco Central, que é de 4,50%. Ao considerar apenas as 91 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis — consideradas mais sensíveis a novidades —, a mediana aumentou de 4,95% para 4,97%.

Cenário para 2027 e visão do BC

Para o ano seguinte, a estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 manteve-se em 4,30%, ante 4,25% no mês anterior. Nas projeções recentes dos últimos cinco dias, o índice subiu de 4,31% para 4,35%.

O Banco Central projeta uma alta de 5,2% para o IPCA em 2026 e de 3,9% em 2027, dados constantes no comunicado da reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom). O colegiado estima a inflação acumulada em 12 meses em 3,2% no primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante da política monetária.

Meta contínua e taxa Selic

Desde 2025, a meta de inflação opera de forma contínua, baseada no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Se a inflação permanecer fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

No mercado financeiro, a mediana para a taxa Selic ao final de 2026 caiu de 13,75% para 13,50%, após seis semanas de estabilidade. Entre as 77 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a projeção diminuiu de 13,56% para 13,50%.

A Selic já registrou queda de 1,25 ponto percentual desde março, quando o Banco Central iniciou um "ciclo de calibração" da política monetária. A medida ocorre em meio a incertezas sobre os impactos da guerra no Irã na cadeia global de suprimentos, nos preços de commodities e na própria dinâmica inflacionária.