Reflexão sobre segurança pública

A vice-diretora da UNESP de Rio Preto, Monica Abrantes Galindo, publicou uma coluna nesta sexta-feira (17) na qual questiona as prioridades da sociedade diante do aumento da sensação de insegurança. A professora utiliza uma analogia histórica para discutir como devemos encrar o problema da criminalidade.

Ela conta a história de uma cidade onde pessoas eram dadas como mortas enquanto ainda viviam. Um grupo sugeria colocar campainhas nos caixões para resgatar os vivos; outro, estacas para garantir que ninguém fosse enterrado vivo. Para Monica, a diferença está na pergunta: queremos resgatar ou apenas eliminar o risco?

O papel da mídia e da realidade

A autora aponta que, embora haja momentos de queda real nos índices de violência, a sensação de medo não diminui proporcionalmente. Ela atribui parte disso ao papel da mídia, que frequentemente exibe episódios de assalto e crimes, alimentando um medo que nem sempre reflete a estatística local.

Monica lembra que buscar um índice zero de roubos é utópico em uma sociedade desigual. O desafio, segundo ela, é encontrar caminhos para que todos, e não apenas alguns, possam viver bem e seguros.

Escola ou prisão?

No foco da discussão, a jovem envolvida com a criminalidade, a coluna levanta perguntas diretas. Não há defesa de bandidos, mas sim uma cobrança por justiça e ressocialização. A autora pergunta:

  • Queremos a diminuição da maioridade penal ou o aumento do tempo na escola?
  • Queremos mais gente presa ou mais gente estudando desde pequeno até a faculdade?
  • Queremos mais escolas e menos presídios ou vice-versa?

Para Monica, esses números são inversamente proporcionais. Escolher as perguntas certas significa escolher em quais projetos políticos votar. A coluna foi publicada no Diário Classic, veículo regional.