Origens e exílio

Joaquim Manoel Gonçalves, conhecido como Monsenhor Gonçalves, nasceu em Braga, Portugal, no dia 7 de novembro de 1869. Ordenado padre aos 25 anos, atuou como professor de latim e vigário em sua terra natal até a Revolução Republicana de 1910.

Com a expulsão dos jesuítas e a separação entre Igreja e Estado pelo Governo Provisório brasileiro, ele foi forçado ao exílio. Passou pela Espanha e França antes de embarcar em Marselha, em setembro de 1913, com destino ao Brasil. A viagem passou por Senegal e chegou ao Rio de Janeiro.

Chegada ao Interior e atuação em Rio Preto

Logo após chegar ao país, reuniu-se com o bispo de São Carlos, José Marcondes Homem de Mello, e recebeu indicação para ser capelão do Colégio São José, em Jaú, a partir de 1914. Lecionou também no Ginásio Diocesano local.

Sua trajetória passou por Jaboticabal (1914-1918), Dois Córregos e São Carlos. Em maio de 1927, mudou-se para Rio Preto como vigário da Paróquia de Rio Preto, permanecendo até 1931. De 1931 a 1935, respondeu pela Catedral de São José.

Educação e política

Monsenhor Gonçalves foi peça chave na criação da Diocese e colaborou fortemente com o bispo Dom Lafayette Libânio. Entre 1935 e 1941, atuou como camareiro secreto do Bispado.

Na esfera civil, fundou a Sociedade Beneficente de Rio Preto em 1931 e escreveu artigos para o jornal A Notícia. Em 1932, liderou a revolução constitucionalista na região. Após a derrota dos revolucionários, foi capturado e espancado pelas forças mineiras de ocupação.

O legado educacional

Um de seus maiores feitos foi a fundação do Ginásio Diocesano, atual Escola Estadual Monsenhor Gonçalves, junto ao professor Francisco Felippe Caputo. A escola surgiu para oferecer ensino médio, já que a cidade só tinha ensino básico.

O prédio próprio foi inaugurado em 1934. Ao longo dos anos, a instituição teve vários nomes, incluindo Ginásio São Joaquim e Ginásio Estadual, antes de se tornar pública em 1943. Hoje, com mais de 1.100 alunos, é referência na educação rio-pretense.

Falecimento e homenagens

Na década de 1940, deixou Rio Preto para assumir como capelão do Asilo Bom Pastor, em São Paulo. Morreu na capital paulista no dia 21 de dezembro de 1944. Na cidade, uma rua na Vila Ercília e a escola estadual levam seu nome.