Proposta de transação penal

O Ministério Público (MP) de Cedral, no Norte Paulista, propôs uma transação penal para a mulher identificada como C. F. O., 37 anos. Ela foi presa no último dia 18 de setembro após assumir a autoria do acidente de trânsito que matou a motociclista Gabriela Fernanda de Menezes, na tentativa de proteger a filha adolescente.

A proposta prevê o pagamento de cinco salários-mínimos, totalizando R$ 8.105,00, ou a prestação de 180 horas de serviços à comunidade. Esse benefício é aplicável quando o crime não excede dois anos de prisão e não exige confissão formal do fato.

Descoberta das câmeras

A prisão ocorreu após amigos da vítima acessarem imagens de câmeras de monitoramento. As gravações mostraram que C. não estava dirigindo o Honda HR-V prata envolvido na batida, que aconteceu no cruzamento das ruas Aroeira e Cabo Verde.

Após pagar fiança de pouco mais de R$ 3 mil e ser liberada em audiência de custódia, a mulher voltou à delegacia acompanhada da filha e do advogado Juan Siqueira. Lá, ela confessou ter mentido para abrigar a menor.

Análise do promotor

O promotor Horival Marques de Freitas Júnior analisou o caso sob a ótica do crime de autoacusaçãofalsa. Ele desconsiderou a conduta de entregar veículo a pessoa não habilitada, focando apenas na falsa confição.

Com base na ficha de antecedentes da acusada e na natureza do delito, o MP concluiu que ela tem direito ao acordo. A data para a audiência preliminar de aceitação ainda não foi definida.

Defesa questiona álcool na vítima

O advogado da família, Juan Siqueira, apresentou argumentos em pedido liminar. Ele alega que o local do acidente tinha preferência de tráfego para o automóvel, apesar da falta de sinalização.

A defesa também juntou indícios de que a motociclista Gabriela poderia estar sob influência de álcool. Foram anexadas fotos do local com latas de cerveja Antártica próximas à moto e uma captura de tela de um status de WhatsApp da vítima, publicado na noite anterior, mostrando uma lata e a legenda "sextou".