O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação na Justiça nesta quinta-feira (29) para obrigar a Meta, dona do Instagram, Facebook e Threads, a remover publicações que incentivam o assédio eleitoral. A empresa tem 24 horas para retirar os conteúdos ou enfrentar sanções.
A procuradoria também pede ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região que arbitre uma indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos. O argumento é que a plataforma permite a veiculação de ilegalidades e usa seus algoritmos para ampliar o alcance desses posts.
Contexto das denúncias
O pedido vem após um aumento de 75% nas denúncias de assédio eleitoral no país desde o segundo turno das eleições gerais. Até o momento, foram registrados 1.459 casos em todo o território nacional.
- São Paulo lidera com 620 relatos;
- Minas Gerais aparece em segundo lugar com 351;
- Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina completam o topo da lista.
Os relatos indicam que perfis digitais estão orientando empresários a investigar as redes sociais dos funcionários para descobrir em quem votaram. Quem tiver opinião diferente da do patrão pode ser alvo de boicotes ou demissão.
Alcance e resposta da Meta
O MPT destaca que alguns conteúdos têm grande engajamento. Em apenas um perfil com 3,8 milhões de seguidores, quatro publicações analisadas somaram mais de 2 milhões de curtidas. Muitas delas expõem nomes e imagens de pessoas ou comemoram demissões.
Consultada pela reportagem, a Meta informou que não comentaria o assunto. A primeira audiência da ação está marcada para 29 de março de 2027, na 77ª Vara do Trabalho de São Paulo.
