O Comitê Norueguês do Nobel anunciou na última sexta-feira (9) que a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. Natural de Durban, na província de KwaZulu-Natal, Pillay tem uma carreira marcada pela defesa dos direitos humanos e pelo combate à discriminação racial.
Trajetória contra o apartheid
A formação acadêmica de Pillay inclui Direito pela Universidade de Natal e doutorado em Ciências Jurídicas pela Universidade Harvard. Em 1967, durante o regime do apartheid, ela se tornou a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província de Natal. Sua atuação desafiou as barreiras de segregação racial e gênero da época.
Ao longo da carreira, defendeu ativistas contrários ao apartheid e denunciou violações de direitos humanos, incluindo violência sexual no contexto sul-africano.
Juíza internacional e marco legal
Pillay atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR), criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994. Em 1999, assumiu a presidência do tribunal. Durante esse período, participou de um julgamento histórico: o caso Jean-Paul Akayesu.
- Em 1998, o tribunal reconheceu que estupro e outras formas de violência sexual podem constituir atos de genocídio.
- A decisão foi um marco no reconhecimento da violência sexual como instrumento de destruição de grupos.
Atuação na ONU e controvérsias recentes
De 2008 a 2014, Pillay foi alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Nesse cargo, defendeu grupos discriminados e apoiou iniciativas para os direitos LGBT. Mais recentemente, presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre violações no Território Palestino Ocupado e Israel.
Em relatório divulgado em 2025, a comissão concluiu que Israel havia cometido atos de genocídio na Faixa de Gaza, segundo os critérios da Convenção do Genocídio. Essa conclusão gerou intensas controvérsias políticas e jurídicas.
Reconhecimento do Nobel
O anúncio do Nobel destaca a contribuição de Pillay para a promoção da paz, o fortalecimento do direito internacional e a responsabilização por crimes graves. A trajetória da jurista reforça que a construção da paz depende de instituições capazes de investigar crimes e reconhecer o sofrimento das vítimas.
