Uma obsessão mortal
O romance O Colecionador, do escritor britânico John Fowles, é um clássico do suspense psicológico. A história se passa em Londres e acompanha Frederick Clegg, um modesto funcionário público municipal cuja única paixão era colecionar borboletas.
Sua vida muda quando ele desenvolve uma irresistível obsessão por Miranda Grey, uma bela jovem da burguesia. O intento de Clegg é sequestrá-la e aprisioná-la, alimentando um amor platônico que degenera em controle total.
Conflito de classes e estilo único
A obra descreve duas personagens antagônicas, impossibilitadas de se unirem em um mundo repleto de mitos e deformações sociais. Os estudiosos notam que o livro aborda fortemente o tema das classes no sistema de castas britânico.
Frederick representa a classe trabalhadora, enquanto Miranda é membro da burguesia. Fowles caracteriza os tipos com coerência: a linguagem de Clegg reflete sua personalidade medíocre, enquanto o estilo de Miranda é ágil, nervoso e cheio de vitalidade.
Sucesso global e adaptações
Escrito entre novembro de 1960 e março de 1962, o livro tornou-se um best-seller mundial. O sucesso foi tão grande que levou Fowles a abandonar o magistério para viver exclusivamente de suas produções literárias.
- Cinema: Em 1965, foi adaptado para o filme dirigido por William Wyler, com Terence Stamp e Samantha Eggar. A produção foi indicada a dois Oscars.
- Teatro: Houve adaptação teatral em 1998, escrita por Mark Healy, e outra na Suécia em 2007.
Crítica literária
O crítico Hayden Carruth observou que Fowles preocupa-se em “reorganizar as classes sob o socialismo britânico”. Já o acadêmico Syhamal Bagchee compara o mundo do romance aos “mundos tragicamente absurdos” de Franz Kafka e Samuel Beckett.
Para Bagchee, a maior ironia está nas tentativas de fuga de Miranda, que acabam alienando ainda mais o sequestrador. A estudiosa Katarina Držajić considera a obra um dos romances mais importantes do século XX, vista como thriller psicológico e estudo junguiano.
