O adeus ao chapéu e ao charuto

Os ícones tradicionais do capitalismo industrial estão desaparecendo. A imagem do empresário de chapéu e charuto na boca, que dominava as décadas de 70 e 80 no Brasil, deu lugar a uma nova realidade. Hoje, o verdadeiro poder não está mais nas mãos apenas de industriais e banqueiros, mas sim nos donos dos algoritmos e dos dados.

Nasce o 'capital-nuvem'

Segundo o artigo "Capital-nuvem", publicado em 05/10/2026 por José Manoel de Aguiar Barros, o sistema econômico se deslocou. Ele saiu do chão das fábricas e da posse de terras para ir "para as nuvens". Esse fenômeno, chamado de "capital-nuvem", transformou a produção de riqueza e criou uma força de trabalho não remunerada: os empreendedores virtuais que exploram a si mesmos.

CEOs ditam as regras políticas

A mudança radical afetou até mesmo a esfera política. O texto aponta exemplos recentes, como a presença de grandes CEOs na posse de Donald Trump. Mark Zuckerberg (Meta), Jeff Bezos (Amazon), Tim Cook (Apple), Sundar Pichai (Google) e Elon Musk são citados como figuras centrais. Poucos questionam se esses líderes de grandes empresas de tecnologia detêm o controle real nesta era digital.

Crítica precisa ser prática

A imprevisibilidade e a insegurança marcam a vida moderna, onde tudo pode ser comprado com um toque na tela. Discursos sobre igualdade e solidariedade ficam frágeis diante dessa lógica. Para o autor, citar Yanis Varoufakis e seu livro "Tecno-feudalismo", a crítica atual deve explicar como funcionariam a produção, distribuição e inovação numa sociedade baseada em IA e capital algorítmico. Sem isso, restam apenas boas intenções vazias.