Um mandado de busca e apreensão da Operação Dionísio foi cumprido na manhã desta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, em Fernandópolis. A diligência contou com o apoio do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) de Rio Preto, reforçando a presença policial da região em ações coordenadas fora do estado.

Alcance nacional da investigação

A ação é coordenada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) e atinge 17 localidades nos estados de Alagoas, São Paulo, Minas Gerais e Maranhão. Além de Fernandópolis, os mandados são executados em São José dos Campos e Boituva (SP); Maceió e Arapiraca (AL); Frutal (MG) e São Luís (MA).

Nesta fase inicial, o MPAL investiga 30 pessoas físicas e 42 empresas jurídicas. O promotor responsável não divulgou a identidade do alvo específico das buscas realizadas em Fernandópolis.

Práticas ilegais apuradas

O Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e Lavagem de Bens (Gaesf) aponta que o esquema utilizava distribuidoras criadas em diferentes estados para fraudar tributos. As práticas investigadas incluem:

  • Sonegação fiscal e falsidade ideológica;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Manipulação da base de cálculo do ICMS;
  • Uso indevido de benefícios tributários;
  • Descaminho de mercadorias e cancelamentos fictícios de notas fiscais.

Investigadores identificaram indícios de que cargas seriam redirecionadas durante o transporte, divergindo dos destinos declarados nas notas fiscais, além do uso de empresas de fachada para ocultar patrimônio.

Prejuízo aos cofres públicos

Em Alagoas, quatro empresas estão sob suspeita de integrar a rede criminosa. Segundo o MPAL, essas companhias acumulam cerca de R$ 190 milhões em débitos tributários históricos, entre valores inscritos em dívida ativa e aqueles ainda na esfera administrativa. Há também procedimentos fiscais em tramitação na Secretaria da Fazenda de Alagoas que somam R$ 132,4 milhões.

O prejuízo efetivo aos cofres públicos está sendo apurado. O coordenador do Gaesf de Alagoas, promotor Cyro Blatter, destacou que a operação demonstra a necessidade de uma atuação integrada para combater organizações criminosas estruturadas.