Marketing eleitoral sobre a realidade
O artigo de opinião publicado em 21/10/2026, assinado pelo advogado Marco Feitosa, defende que a substituição da vida concreta por truques de marketing eleitoral é um dos males mais profundos que impedem o desenvolvimento da sociedade. Segundo o autor, essa prática representa uma decadência institucional onde a narrativa vence os fatos.
Petição ao TSE e a encenação política
Feitosa utiliza como exemplo recente a petição enviada pelo presidente Lula ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), propondo a abertura de seus sigilos bancário e telefônico. O texto classifica o documento como uma "radiografia" da crise, argumentando que ele reflete a vitória da encenação barata sobre o Direito. A reação de Flávio Bolsonaro é citada como parte desse teatro cínico, onde documentos sem validade jurídica viram trunfos eleitorais.
Problemas reais ignorados
O coordenador do Movimento Livres no Estado de São Paulo alerta que, ao atuarem como atores publicitários, governantes e candidatos varrem para debaixo do tapete problemas concretos da população, como miséria, custo de vida alto e espoliação do trabalhador. Cria-se, assim, um ecossistema degradante onde a eficiência da gestão pública é trocada pela capacidade de enganar e manipular eleitores por meio de grupos de WhatsApp.
A mentira como falha estrutural
Para o autor, a mentira não é um desvio menor, mas uma falha moral estrutural. Quem mente sistematicamente para obter poder demonstra caráter deformado e tende a cometer desvios de conduta quando assume cargos públicos. A aceitação passiva da fraude intelectual abre caminho direto para a corrupção material e o arbítrio.
Soluções necessárias
O texto propõe três caminhos para romper esse ciclo, embora considere-os pouco viáveis no momento atual:
- Diminuição drástica do tamanho e do poder do Estado;
- Combate implacável à impunidade dos poderosos;
- Educação emancipadora que ensine o indivíduo a pensar por conta própria.
Conclusão sobre as eleições
Marco Feitosa conclui que a verdadeira emancipação popular não virá das mãos de quem disputa o comando estatal, mas da recusa do povo em ser tutelado por figuras consideradas moralmente falidas. Ele afirma categoricamente que, na eleição marcada para o próximo domingo, nenhum desses temas estará em pauta, resultando na frase final: "Merecemos o que temos".
