Em sua coluna publicada nesta quarta-feira (20), o jurista, historiador e escritor Durval de Noronha Goyos Jr. reflete sobre os perigos da manipulação de massas por figuras autoritárias. O texto, intitulado "A pandemia dos mentecaptos", utiliza referências literárias e históricas para discutir como líderes despreparados podem conduzir grupos sociais ao caos.
Referências literárias e históricas
O autor começa citando Ariano Suassuna, que via a literatura como uma "casa de orates". Segundo Goyos Jr., essa visão ajuda a registrar os efeitos nefastos de movimentos de massa alimentados por guias corruptos, ignorantes ou inconsequentes. Ele menciona ainda Machado de Assis e seu livro "O Alienista", sugerindo que, em meio a tantas turbas, o intelectual poderia ser visto como o único louco a ser internado.
Definições de 'mentecapto'
Goyos Jr. baseia-se no Direito Romano e na Lei das Doze Tábuas para diferenciar categorias de comportamento irracional. Ele cita o aforisma latino "stultorum infinitum est numerus" (o número dos tolos é infinito) e detalha três tipos principais:
- Idiota: Definido pelo teólogo Igor Sibaldi como alguém cujo raciocínio só faz sentido para si mesmo. O autor também referencia Walter Hugo Mãe e Gil Vicente para ilustrar essa característica.
- Estúpido: Diferente da idiotice, a estupidez decorre da ignorância e da indiferença arrogante frente aos fatos. Cita Gianrico Carofiglio e Umberto Eco, destacando a lógica torcida usada por esse perfil.
- Imbecil: Visto como um desamparado da razão, muitas vezes associado a comportamentos sociais frívolos ou diplomáticos, segundo a análise de Eco em "O Pêndulo de Foucault".
O 'louco furioso' e o fascismo
O ponto central do artigo foca no "louco furioso", descrito por Umberto Eco como alguém com ideia fixa e retórica sofística. Goyos Jr. afirma que esse tipo histórico, frequentemente autocrata, usa a ignorância como ferramenta de controle social. O texto conclui com uma crítica direta a figuras fascistas atuais, acusando-as de conduzir legiões de seguidores rumo ao abismo através da mentira, coerção e corrupção.
Sobre o autor
Durval de Noronha Goyos Jr. é jurista, historiador e polígrafo. Foi presidente da União Brasileira de Escritores (UBE) e membro da Academia de Letras de Portugal. Escreve quinzenalmente neste espaço às quartas-feiras.
