Piracema inicia neste domingo com cenário favorável
A piracema, período de proibição da pesca para proteger a reprodução dos peixes na Bacia Hidrográfica do Rio Paraná, começa neste domingo (1º) e segue até 28 de fevereiro de 2027. Na região de Rio Preto e noroeste paulista, o fenômeno este ano tem um diferencial: o impacto do El Niño.
Para o biólogo Clayton Rangel, as condições hídricas devem tornar esta uma das melhores piracemas recentes. O grande volume de chuvas encheu os rios, facilitando a migração dos peixes contra a correnteza até as áreas de desova.
El Niño traz mais água e alimento para os filhotes
O fenômeno climático alterou o regime de chuvas no Estado. Em junho deste ano, por exemplo, Rio Preto registrou cerca de 160 mm de precipitação, um valor 359% acima da média histórica do mês.
Essa disponibilidade de água permite que os cardumes ultrapassem obstáculos naturais e alcancem locais que ficaram inacessíveis em anos anteriores. Além disso, a água retorna a áreas de várzea, ampliando o espaço de desenvolvimento e a oferta de alimento para os filhotes.
- Maior índice de sobrevivência das espécies;
- Favorecimento tanto de peixes de pequeno quanto de grande porte;
- Recuperação de habitats de desova inundados.
Proibição vale para espécies nativas
Durante os quatro meses de piracema, fica vetada a captura de espécies nativas como dourado, pintado, pacu, curimbatá, piapara, piracanjuba, jaú, mandi-amarelo, traíras, lambaris e cascudos. A regra vale para todas as modalidades de pesca.
São permitidas apenas espécies exóticas ou introduzidas, como tilápia, tucunaré, corvina de água doce, carpa, bagre-africano e pirarucu, respeitando-se as restrições locais de equipamentos e locais.
Polícia Ambiental reforça fiscalização e multas
O 4º Batalhão de Polícia Ambiental iniciou ações de conscientização desde sábado, no rio Grande. A partir de domingo, a postura será de punição rigorosa. O capitão Deivid Gabriel de Melo, do setor de comunicação, alerta que a fiscalização visa garantir a preservação dos peixes, interesse de toda a comunidade.
As penalidades incluem:
- Multa inicial de R$ 1 mil;
- Acrescimo de R$ 20 por quilo ou fração de pescado irregular;
- Apreensão de equipamentos;
- Responsabilização criminal, com pena de detenção de um a três anos.
O valor da multa pode chegar a R$ 100 mil em casos graves. Blitzs serão realizadas nos principais rios da região para surpreender infratores.
