A Polícia Civil de São José do Rio Preto oficiou a Casa do Cireneu, centro de acolhimento administrado pela Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus, para que forneça imagens captadas por câmeras de monitoramento internas. O objetivo é apurar uma denúncia de agressão supostamente praticada por um funcionário da instituição contra um jovem venezuelano de 20 anos.
O caso ocorreu no último sábado (19) e foi registrado pelo rapaz nesta terça-feira (22). A Casa do Cireneu funciona em parceria com a Prefeitura Municipal e atende pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social na região.
Relato da vítima
Em depoimento à Polícia Civil, Luis Eduardo Salazar Flores afirmou que teve um desentendimento com um monitor conhecido como “Mirassol” ao chegar atraso ao local. O horário de entrada é às 18h, mas ele compareceu às 19h30 devido ao trabalho.
Luis relatou que, durante uma revista, o monitor arremessou sua bolsa por cima do muro, iniciando uma discussão. Segundo o jovem, “Mirassol” chamou outros internos para agredi-lo com chutes e socos. As agressões teriam cessado apenas quando ele desmaiou, sendo impedido de continuar por um interno marroquino.
O boletim de ocorrência indica que, após a agressão, o rapaz foi retirado do local. Ele admite ter retornado forçando o portão para recuperar uma pochete com R$ 160, sem sucesso, sendo novamente colocado para fora.
Versão da instituição
Em nota, a Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus negou as acusações. Frei Emanuel, signatário do documento, afirmou que as informações são inverídicas e que o acolhido chegou embriagado e após o horário limite, ocasião em que recebeu comunicação de desligamento.
A instituição alega que o jovem reagiu agressivamente, desferindo socos e chutes contra o portão. Diante disso, a equipe acionou a Polícia Militar para garantir a segurança. Após a chegada da viatura, o indivíduo teria deixado o local espontaneamente.
Reação e buscas por respostas
Claudinei Luis Azevedo, empresário que emprega o jovem há três meses e é voluntário na casa, confirmou que buscou Luis Eduardo às 4h da manhã para trabalhar e pagou um aplicativo para seu retorno. Claudinei relatou que o rapaz disse ter bebido cerveja antes de voltar, mas defendeu que “agressão não é a solução”.
O empresário informou que levou o jovem ao Hospital João Paulo II na segunda-feira (22), onde foi medicado e submetido a tomografia de cabeça. Ao tentar acessar as imagens das câmeras para entender a situação, Claudinei diz que foi impedido pelos freis.
A Secretaria de Desenvolvimento Social informou que uma equipe realizou escuta técnica com os coordenadores da Casa do Cireneu para compreender o ocorrido. A Prefeitura de São José do Rio Preto reiterou que não compactua com atos de violência e permanece à disposição da sociedade.
