Em uma carta aberta publicada nesta quarta-feira (23/09/2026), o professor Benizio Lopes de Oliveira criticou veementemente a remoção de 1.411 árvores para a ampliação da rodovia Washington Luís em São José do Rio Preto. O autor, que reside na cidade há décadas, expressou seu desgosto com o que considera um erro histórico de planejamento urbano e ambiental.
Corte de vegetação e compensação inadequada
O artigo foi motivado pela capa do Diário Região, que noticiou o sacrifício de milhares de árvores nativas, incluindo pau-brasil, cedro-rosa, ipê e jatobá. Lopes aponta que muitas dessas espécies levaram entre 30 e 50 anos para crescer e que algumas estão protegidas por lei contra o corte. Ele questiona a proposta de compensação ambiental, que prevê a preservação de um parque em Capão Bonito, a mais de 500 km de distância, classificando-a como insuficiente para os moradores locais.
Déficit verde e falta de replantio
O professor destaca que Rio Preto possui um déficit estimado de 33 mil árvores. Segundo ele, nunca houve um replantio efetivo ou conservação adequada da vegetação urbana. Cita o caso recente das árvores no endereço Murchid Homsi, 943, onde o corte foi evitado por pouco, mas questiona se medidas reais de compensação serão tomadas no futuro.
Crítica ao planejamento urbano
Lopes também ataca a estrutura da rodovia Washington Luís, que corta o centro da cidade, e a linha férrea que transporta combustíveis pelo meio urbano. Descreve essas situações como "dois erros de engenharia" que colocam em risco a qualidade de vida dos residentes. O texto conclui com uma declaração de amor à cidade, mas admite considerar a mudança de residência devido à má gestão política e à perda do patrimônio natural.
