Da roça à cidade: uma trajetória de dedicação

O professor Antonio Villeroy publicou um relato emocionante no Espaço do Leitor do Diário Classic nesta terça-feira (13/10). Em 1969, ele morava em Catanduva e trabalhava no Banco Mercantil de São Paulo. Casado com uma filha de dois anos, decidiu mudar-se para Palestina para acompanhar a esposa, recém-formada em Geografia pela FAFICA.

A mudança foi estratégica para que ele também pudesse concluir os estudos e seguir na carreira de educador. A rotina era pesada: trabalhava durante a semana e cursava faculdade em Ribeirão Preto nos finais de semana. As estradas eram de terra e, muitas vezes, ele ficava encravado à noite, precisando esperar tratores para desatolar no dia seguinte.

Respeito que desapareceu

Para Villeroy, o período foi marcado por acolhimento humano. Ele lecionou em Orindiuva, Paulo de Faria, Cardoso e Palestina. Na época, o professor era figura central na comunidade, convidado para todas as comemorações ao lado do juiz, delegado e advogado.

Hoje, a visão é diferente. O educador questiona onde foi parar esse respeito. "Hoje o professor não é convidado nem para um café na escola", diz. Ele aponta que, nos últimos 40 anos, promessas feitas nas Leis 5.692/71 e 9.394/96 foram esquecidas, focando na formação técnica e cidadã, mas negligenciando quem forma esses profissionais.

Crítica ao Judiciário e Legislativo

O texto faz uma crítica direta aos poderes constituídos. Villeroy afirma que o Judiciário e o Legislativo passaram por cima da educação, unindo forças para garantir benefícios próprios enquanto os políticos aproveitavam a onda. Segundo ele, todos no país, desde o gari até os ministros do STF, passaram pelas mãos de professores.

"E o que fizeram com o professor? Pisaram e colocaram no chão", conclui. No Dia do Professor, o pedido não é por flores, mas por reconhecimento. 'Um país que pisa em quem ensina está condenado a não aprender', alerta.