Educação sem emprego

Imagine que o Brasil realize o sonho dos candidatos: escolas excelentes, universidades de alto nível e uma população altamente qualificada. Seria um cenário maravilhoso. No entanto, há uma pergunta que quase nunca aparece nos palanques eleitorais: quem vai empregar, aqui dentro, toda essa gente formada?

Um jovem brasileiro formado em uma universidade de ponta não vive apenas do diploma. Ele precisa encontrar uma empresa que o contrate, criar seu próprio negócio ou ter condições reais para transformar conhecimento em inovação. É exatamente nesse ponto que começa a grande contradição nacional.

Burocracia afasta investimentos

Enquanto prometemos uma educação cada vez melhor, mantemos uma economia onde abrir, manter e expandir uma empresa pode significar enfrentar burocracia pesada, impostos complexos, insegurança jurídica e inúmeras barreiras.

O resultado pode ser perverso: quanto melhores forem nossos talentos, maior poderá ser a procura deles por países onde existem empresas dispostas a contratá-los, investidores prontos a financiá-los e ambientes mais favoráveis para empreender.

Não é contra a educação

Não se trata de defender menos educação. É exatamente o contrário. Quanto mais investirmos na formação dos brasileiros, maior será nossa responsabilidade em criar oportunidades para que eles permaneçam e produzam aqui.

É preciso romper a falsa escolha entre educação e desenvolvimento econômico. Precisamos dos dois. Por isso, nestas eleições, talvez valha a pena olhar além das promessas bonitas.

Pergunte ao candidato: o que fará para que uma pessoa qualificada prefira empreender e trabalhar no Brasil em vez de procurar oportunidades no exterior? Porque formar talentos é apenas metade do trabalho. A outra metade é criar um país onde esses talentos tenham motivos para ficar.