Contexto histórico de radicalismo
O jornalista José Manoel de Aguiar Barros publicou no Diário da Região um artigo refletindo sobre a atual polarização política. Ele utiliza como base um episódio vivido em junho de 1978, quando estava em Milão, Itália, durante o auge do terrorismo de extrema-esquerda.
As Brigadas Vermelhas e Aldo Moro
Naquele período, a Europa vivia sob a ameaça de grupos armados como o IRA, na Irlanda, e a ETA, na Espanha. Em Milão, a cidade estava marcada por cartazes homenageando Aldo Moro, líder da Democracia Cristã italiana, que havia sido sequestrado pelas Brigadas Vermelhas.
Moro defendia o "compromisso histórico", uma aliança entre democratas-cristãos e comunistas para estabilizar o país e isolar os extremistas. No entanto, o sistema político e o Vaticano não cederam às exigências dos terroristas, que pediam a soltura de presos. O resultado foi a execução do político.
Manifestação das 'bruxas'
Barros relata ter presenciado uma manifestação feminina intensa na Praça da Catedral de Milão. Mulheres carregavam faixas com a frase "Noi siamo le streghe" (nós somos as bruxas) e gritavam: "Tremate, tremate, le streghe son tornate!" (Tremam, tremam, as bruxas voltaram!).
A ação simbolizava a ruptura com valores estabelecidos e falsos moralismos, sem medo dos julgamentos que outrora levaram mulheres à fogueira. Ao lado, um pintor expunha uma obra onde Moro carregava uma estrela vermelha, enquanto Enrico Berlinguer, secretário do Partido Comunista Italiano, aparecia ao fundo.
Lição para o presente
O autor conclui que a história ensina uma lição clara: o radicalismo político só interessa verdadeiramente aos radicais. A reflexão surge após uma amiga postar online seu gosto por caminhar com mulheres que, em outras épocas, teriam sido queimadas juntas, conectando passado e presente.
