Alta adesão aos aplicativos

O avanço dos carros por aplicativo representa uma mudança significativa na mobilidade urbana de Rio Preto. Segundo levantamento de 2026 da Fundação Seade, divulgado pelo Diário, 70% da população da região utiliza o serviço. A facilidade de solicitar corridas, a flexibilidade e a economia em relação à manutenção de um veículo próprio explicam essa forte adesão.

A facilidade de solicitar uma corrida, a flexibilidade e os custos de manter um veículo próprio ajudam a explicar essa adesão.

Equilíbrio no trânsito

O aplicativo pode substituir, em certas situações, o deslocamento em carro particular, reduzindo a necessidade de cada pessoa ter seu próprio veículo. Por outro lado, a expansão do serviço coloca mais automóveis em circulação, agora voltados para o transporte remunerado.

O saldo para o trânsito depende, portanto, de quantos carros particulares deixam de circular e de como as viagens por aplicativo são realizadas.

Transporte coletivo precisa melhorar

Não se pode tratar os aplicativos como solução definitiva. Eles atendem a necessidades reais, mas não eliminam o desafio de transportar grandes contingentes de pessoas com eficiência. A resposta estrutural passa necessariamente pelo fortalecimento do transporte coletivo, capaz de atender mais passageiros com menor ocupação do espaço viário por pessoa.

Para conquistar usuários, entretanto, não bastam campanhas de conscientização ou apelos à sustentabilidade. Ônibus precisam oferecer pontualidade, conforto, segurança, frequência adequada, linhas bem distribuídas e integração eficiente. Ar-condicionado, corredores exclusivos e redução do tempo de viagem são avanços importantes, mas devem integrar uma política permanente de qualidade. Sem um serviço confiável e competitivo, o passageiro continuará buscando alternativas individuais.

Tarifa zero: debate necessário

Nesse debate, discute-se a tarifa zero universal, sem restringir a gratuidade a faixas etárias ou categorias específicas, medida já aplicada inclusive em grandes cidades brasileiras. A iniciativa pode ampliar o acesso ao transporte público e torná-lo mais atraente, mas sua adoção exige estudos rigorosos sobre financiamento, demanda, capacidade operacional e impacto nas contas públicas.

A gratuidade, por si só, não garante ônibus melhores nem viagens mais rápidas. Acima de tudo, é preciso avaliar o custo-benefício de projetos que não se limitem às ações eleitoreiras das cortesias pontuais em fim de semana. Uma tarifa zero para todos pode ser uma alternativa válida se os ganhos sociais e urbanos justificarem os recursos empregados, sem comprometer a qualidade do serviço. O objetivo não deve ser apenas oferecer transporte gratuito, mas convencer a população a deixar o carro em casa. Aplicativos e ônibus podem coexistir. O desafio é construir uma mobilidade em que a conveniência individual não prevaleça sobre o interesse coletivo.