A Prefeitura de São José do Rio Preto desistiu de implantar o Restaurante Popular da Zona Norte, previsto para um imóvel na avenida Mirassolândia. A desocupação do prédio começou a ser registrada nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026. O projeto previa oferecer 2 mil refeições diárias a R$ 1, mas foi encerrado sem servir nenhum almoço.

O contrato de aluguel, de R$ 35 mil mensais, não foi renovado. O imóvel será devolvido ao proprietário, e não há previsão de retomada do projeto em outro endereço.

Por que a Prefeitura desistiu do restaurante?

Segundo a administração municipal, a decisão foi baseada em um estudo técnico da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado. A análise apontou baixo fluxo de pessoas, distância de quatro quilômetros do Bom Prato já existente no Centro e custos elevados de implantação e manutenção.

A estimativa de despesa para a unidade era de R$ 300 mil por mês, ou R$ 3,6 milhões por ano. O atendimento seria voltado a moradores de baixa renda da Zona Norte, pessoas em situação de rua e trabalhadores do comércio das imediações.

Climatizadores custaram R$ 134,9 mil em 2026

Mesmo sem abrir o restaurante, a Prefeitura pagou R$ 134,9 mil pela aquisição, montagem e instalação de climatizadores em 2026. Dados do Portal da Transparência, atualizados até 15 de setembro, mostram que a despesa foi empenhada, liquidada e integralmente paga pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento neste ano.

A contratação incluía aparelhos, materiais, peças e mão de obra. O pregão eletrônico teve lance vencedor de R$ 134,9 mil em 27 de junho de 2025, mas o empenho foi registrado em 2026.

Também foram destinados ao projeto R$ 600 mil em verba estadual, articulada pelo deputado Itamar Borges (MDB), para comprar mesas, cadeiras, pratos, talheres, panelas, refrigeradores e outros equipamentos.

Equipamentos irão para escolas e Banco de Alimentos

A secretária municipal de Agricultura, Carina Ayres, responsável pela gestão do projeto, afirmou que os equipamentos e utensílios serão encaminhados às cozinhas das escolas municipais e ao Banco de Alimentos.

Segundo ela, a medida busca aproveitar integralmente os itens adquiridos em serviços que já estão em funcionamento. A expectativa é reforçar a produção do Banco de Alimentos e melhorar as condições das cozinhas escolares.

Ex-secretário contesta encerramento do projeto

O ex-secretário municipal de Agricultura Pedro Pezzuto lamentou a desistência e afirmou ter deixado recursos disponíveis para iniciar o atendimento.

“Deixamos mais de R$ 3 milhões em caixa para colocar em operação, a licitação da mão de obra terceirizada pronta, aguardando ordem de serviço, e recurso para aquisição dos alimentos”, declarou.