Inauguração oficial

O Noroeste Paulista ganhou neste sábado (17) um novo centro de referência. A Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), vinculada à Funfarme, inaugurou oficialmente o polo local da Rede Buriti. A iniciativa é nacional e foca em pesquisa, desenvolvimento e inovação para pessoas com síndrome de Down.

O evento de lançamento aconteceu às 9h no Anfiteatro Dr Raul de Aguiar Ribeiro, na própria Famerp. Estão presentes representantes da rede nacional e a comunidade local.

Coordenação e equipe técnica

A coordenadora do polo em Rio Preto é a professora-doutora Érika Cristina Pavarino, geneticista com pesquisas na área desde 2005. Ela destaca que o Brasil ainda tem poucos estudos sobre as demandas reais dessa população.

"A Famerp cumpre esse papel, sendo uma porta no Noroeste paulista de um movimento nacional", afirmou Érika. O objetivo é integrar trabalhos antes feitos de forma isolada por associações de famílias.

A equipe técnica local também inclui as pesquisadoras Jucimara Colombo, Eny Goloni Bertollo, Amanda Peral, Bianca Bogdan e Nayara Hachich. Os atendimentos diretos ao público devem começar em novembro.

Biobanco e avanços científicos

Uma das grandes novidades é a criação de um biobanco genético. Ele reunirá amostras biológicas de pessoas com síndrome de Down para estimular pesquisas sobre envelhecimento, saúde mental e diagnósticos mais precisos.

A meta é contribuir para diretrizes de saúde pública mais embasadas e desenvolver terapias específicas. A rede nacional, coordenada pelo professor Orestes Vicente Forlenza (USP), busca formar uma coorte brasileira representativa.

Rio Preto será o 10º polo ativo, somando-se a unidades em São Paulo (3), Espírito Santo, Paraná, Goiás, Alagoas, Ceará e Acre.

Inclusão no mercado de trabalho

A notícia foi celebrada por Rita de Cássia Trindade, servidora pública estadual e mãe de Álvaro Trindade Lopes, 29 anos. Álvaro tem síndrome de Down e trabalha há 11 anos, com carteira assinada, no Projeto Guri, em Rio Preto.

Rita ressaltou que a inclusão vai além do salário: "há muitas outras coisas a considerar, como disciplina, hierarquia, pertencimento, sentimento de valia, dignidade". Atualmente, 68 crianças com Down estão matriculadas apenas na rede municipal de educação da cidade.