Uma cidade em transformação

São José do Rio Preto dos anos 1920 era um lugar tranquilo, cercado pelo campo e com pouco mais de 20 mil habitantes. Quase todos se conheciam. As ruas eram majoritariamente de terra: poeira nos dias secos e barro nas chuvas. A cidade caminhava devagar, mas começava a ganhar contornos urbanos.

O comércio estava concentrado na região central. Ali, as casas, os pequenos estabelecimentos e os primeiros sobrados davam à cidade uma aparência mais moderna para a época.

O poder do café e a ferrovia

O café era a principal riqueza da região e movimentava o trabalho, o comércio e os sonhos das famílias. Foi nessa época que os barões do café começaram a erguer os primeiros sobrados imponentes. Um deles foi o Hotel Términus, na rua Prudente de Moraes, de frente para o Jardim Velho (atual Praça Dom José Marcondes).

A chegada da Estrada de Ferro Araraquarense, em 1912, foi fundamental. Ela aproximou Rio Preto de outras cidades e dos grandes centros paulistas, impulsionando o desenvolvimento local.

Lazer e costumes

A Igreja Matriz de São José era muito mais do que um templo religioso; era o coração social da cidade. Era ali que as pessoas se encontravam, participavam das celebrações e mantinham vivas as tradições. Ao redor da matriz nasceu o primeiro ponto de carros de praça da cidade.

As noites eram silenciosas, mas não faltava alegria. O coreto do Jardim Velho e o Éden Parque, única casa de espetáculos da época (localizada na rua Delegado Pinto de Toledo, onde hoje funciona o Banco Santander), eram os principais pontos de lazer. O cinema ainda estava chegando.

Histórias que ficaram

Grandes hotéis, como o Hotel Central, na esquina da rua Prudente de Moraes com General Glicério, marcavam a paisagem urbana. Já a última casa da cidade naquela época era a chácara do Coronel Victor Brito Bastos, na esquina da rua Voluntários, ao lado do Hospital Santa Helena. Ela ainda existe, embora esteja muito modificada.