Contradição no planejamento urbano
O Plano de Arborização Urbana contratado pela Prefeitura de Rio Preto aponta a necessidade urgente de plantar 33 mil árvores de grande porte. O objetivo é amenizar o calor nas regiões mais quentes da cidade, gerar economia de R$ 6 milhões anuais na manutenção do asfalto e melhorar a saúde pública.
No entanto, a realidade das grandes obras públicas apresenta uma discrepância significativa. Para a implantação da terceira faixa da rodovia Washington Luís, foram derrubadas 1.411 árvores. Além disso, outras 943 podem ser suprimidas na avenida Murchid Homsi, caso o projeto de drenagem, atualmente suspenso, avance nos moldes atuais.
Compensação fora da região
A questão central reside na forma como essas perdas estão sendo compensadas. Conforme acordo firmado com a Cetesb, as árvores retiradas da Washington Luís serão protegidas permanentemente em 127 hectares no Parque Estadual Nascentes do Paranapanema, localizado em Capão Bonito.
Esta área de preservação está situada a cerca de 500 quilômetros de Rio Preto. Embora a medida atenda aos critérios legais ambientais, ela não repõe a sombra perdida nas margens da via nem reduz a temperatura local, deixando sem solução o problema urbano criado pela supressão.
Necessidade de planejamento integrado
O editorial defende que a cidade não precisa escolher entre desenvolvimento e arborização, mas sim aprender a planejar o crescimento sem destruir um patrimônio ambiental e econômico. Cada grande árvore derrubada deveria exigir uma discussão séria sobre onde, como e quando ocorrerá sua reposição efetiva no município.
- Prefeitura, Estado, concessionária e órgãos ambientais devem integrar seus esforços.
- A compensação deve priorizar a própria cidade para ter impacto térmico real.
- É necessário evitar a perda de milhares de árvores sem resultados locais.
