O Banco Central (BC) reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. A decisão, divulgada nesta quarta-feira (7), coincide com um aumento nos juros dos Estados Unidos pelo Federal Reserve. Embora a queda brasileira seja vista como sinal de alívio, especialistas explicam que isso não significa, necessariamente, que o crédito ficou mais barato de imediato.
Por que os juros ainda são altos?
A Selic influencia empréstimos e financiamentos, mas não é o único fator. Para operações de longo prazo, os bancos consideram inflação esperada, risco fiscal, cotação do dólar e custos de captação. Com os juros americanos subindo para a faixa de 3,75% a 4%, investidores podem levar recursos para lá, fortalecendo o dólar e pressionando a inflação no Brasil. Isso limita cortes mais agressivos na taxa básica.
Impacto direto em Rio Preto
No mercado imobiliário de Rio Preto, a notícia tem peso real. Segundo dados do Secovi-SP, as vendas no primeiro trimestre de 2026 movimentaram cerca de R$ 454 milhões, alta de 26% em relação ao mesmo período de 2025. Muitos moradores aguardavam uma queda maior da Selic para fechar negócios de imóveis ou ampliar empresas.
Mas a estratégia de esperar por juros menores pode ter um custo. Enquanto a taxa recua, preços de imóveis e condições de pagamento também mudam. O risco é perder oportunidades reais de investimento ou moradia esperando um cenário econômico ideal que pode demorar a chegar.
Dica para empresários locais
Para donos de negócios na região, a recomendação é preservar o caixa. Usar todo o capital próprio para evitar juros pode comprometer o pagamento de salários, fornecedores e estoques. Em muitos casos, manter liquidez e financiar parte do investimento é mais seguro do que esvaziar a conta corrente.
Não existe fórmula única entre financiamento, recursos próprios ou consórcio. A decisão deve considerar o custo total, a necessidade de dinheiro em caixa e o patrimônio disponível. Planejar-se apenas com base na previsão da Selic é arriscado, já que ninguém sabe até onde a taxa vai cair.
