Faltando três dias para o segundo turno das eleições presidenciais, os ex-prefeitos de Rio Preto, Edinho Araújo (PRD) e Valdomiro Lopes (PSB), mantêm um silêncio estratégico sobre quem deve vencer a disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A omissão dos dois políticos mais influentes da cidade tem sido descrita como 'ensurdecedor' por analistas locais.
Cálculo político
A escolha pela neutralidade não é casual. Ambos foram eleitos recentemente com base forte na região, mas enfrentam dilemas diferentes ao se posicionarem. Valdomiro, deputado estadual eleito com 86,8 mil votos, está no PSB, legenda do vice-presidente Geraldo Alckmin, mas apoiou Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo, mantendo distância do petismo.
Edinho Araújo, reeleito deputado federal com 54,4 mil votos, acumula histórico de atritos públicos com o bolsonarismo rio-pretense. Em 2022, foi vaiado durante visita de Jair Bolsonaro à cidade. Agora, seu retorno ao Congresso depende fortemente do eleorado local, o que dita sua prudência.
Dados eleitorais explicam postura
O cenário eleitoral de Rio Preto justifica a cautela. No primeiro turno, a cidade deu 62,46% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e apenas 28,39% para Lula. Tarcísio de Freitas também teve alta aprovação local, com 72,35% dos votos.
Para os caciques locais, apoiar Lula significaria 'queimar o filme' com a maioria conservadora da região, enquanto declarar apoio a Flávio cobraria uma fatura moral ou partidária difícil de pagar. O 'conforto' do muro parece ser a única saída viável para proteger seus capitais políticos.
Outros nomes assumem posição
Diferente de Edinho e Valdomiro, outros políticos da região já definiram lados. Danilo Campetti (Republicanos) e Itamar Borges (MDB) participaram de ato de campanha com Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em Guarulhos na última quarta-feira (21).
