Fim das dúvidas sobre as urnas

Passada a euforia do primeiro turno, marcado pela ampla vitória de Flávio Bolsonaro e aliados, o silêncio tomou conta do debate sobre as urnas eletrônicas. Não houve contestação oficial na Justiça Eleitoral, nem declarações públicas ou polêmicas nas redes sociais que questionem a confiabilidade do sistema. O mesmo sistema que era alvo de críticas constantes até a véspera da eleição.

O artigo defende quem levanta suspeitas infundadas contra as urnas e contra o trabalho de juízes, promotores, servidores e voluntários eleitorais. Com mais de 40 anos acompanhando processos eleitorais, o autor destaca que, na época do voto em papel, eram comuns manipulações, adulterações de cédulas e fraudes na contagem.

Sistema reconhecido internacionalmente

As urnas eletrônicas estão em uso no Brasil desde 1996 e passam por aperfeiçoamentos constantes, com mecanismos de segurança, transparência e auditoria em todas as etapas. A agilidade do processo brasileiro é tão eficiente que até países desenvolvidos invejam a rapidez. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a elogiar o modelo brasileiro ao criticar a demora na apuração em seu próprio país.

Abstenção e votos nulos recordes

Os números mostram um eleitorado desiludido. Mais de 33 milhões de brasileiros, cerca de 21% do total, não compareceram às urnas. Esse número é superior à população da Austrália ou à soma de vários países europeus e latinos. Outros quase 6 milhões, aproximadamente 5%, foram votar mas optaram pelo branco ou nulo.

Em São Paulo, a abstenção foi ainda maior, atingindo 22,45%. Apesar da grande oferta de opções — 13 candidatos ao Senado e 1.132 para a Câmara dos Deputados no estado —, mais de 10% dos paulistas votaram em branco ou anularam o voto. Apenas Lucas Pavanato teve votação superior aos brancos e nulos entre os 69 deputados eleitos.

Crise de confiança na democracia

A reflexão proposta pelo texto vai além dos resultados: ela busca entender por que milhões deixaram de participar ou preferiram não escolher ninguém. Há uma sensação generalizada de cansaço diante de promessas não cumpridas, escândalos, radicalismos e versões contraditórias.

  • Desconfiança no governo, nos políticos e na Justiça;
  • Perda de credibilidade da imprensa e de instituições tradicionais, incluindo igrejas;
  • Silêncio seletivo: as suspeitas sobre as urnas aparecem quando o resultado desagrada e desaparecem quando agrada.

O texto conclui que uma democracia saudável exige confiança nas instituições antes, durante e depois das eleições. Sem essa base, o problema não é apenas eleitoral, mas uma crise profunda de confiança na própria democracia.