Brasil lidera exportações com tecnologia avançada

O Brasil consolidou sua posição como o maior exportador mundial de algodão, mesmo não sendo o maior produtor global. A combinação de escala, mecanização total e uso de biotecnologia permitiu que a safra 2025-2026 superasse as três milhões de toneladas exportadas entre agosto de 2025 e julho deste ano.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que o país responde por 15,4% da produção mundial nesta temporada. Embora fique atrás de China e Índia em volume total, o Brasil ultrapassa os Estados Unidos, destacando-se pela eficiência logística e qualidade da fibra.

Safra recorde e desafios no beneficiamento

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção brasileira termine a safra 2025-2026 com um recorde de 4,14 milhões de toneladas. O Ministério da Agricultura também destaca que o caroço do algodão é transformado em óleo vegetal e ração animal, ampliando a rentabilidade para o agricultor.

Apesar da alta produtividade, há gargalos no processamento. Agricultores relatam dificuldade para beneficiar toda a pluma devido à falta de máquinas disponíveis, reflexo do atraso na colheita causado pelas chuvas. Esse intervalo pressiona os prazos de entrega e reduz as janelas de embarque para o exterior.

Impacto na região Noroeste Paulista

No Noroeste paulista, produtores como Laerce Maximiano e Diogo Mendonça avaliam positivamente a evolução tecnológica. A mecanização da colheita e sistemas de irrigação permitem competir com países que ainda utilizam mão de obra manual.

Diogo Mendonça, agrônomo consultor, explica que a biotecnologia ajuda no controle de doenças e que o plantio é bem planejado, geralmente ocorrendo após a colheita da soja. Na região, o beneficiamento é feito principalmente por uma empresa em Riolândia, que vende a fibra para tradings e comercializadoras.

Mercado global e competitividade

Os produtores enfrentam incertezas relacionadas à concorrência com fibras sintéticas chinesas e à volatilidade nos preços do petróleo. No entanto, a rastreabilidade e a qualidade da fibra branca e limpa brasileira atendem à demanda da indústria têxtil asiática, presente em Vietnam, Bangladesh e China.

Arquimedes Celeri, produtor de Valentim Gentil, ressalta que o foco em fibra média-longa e o uso de GPS e plantio direto em grandes áreas, como no Mato Grosso e na Bahia, garantem eficiência superior. A expectativa é de um aumento de 30% na produção brasileira neste ano, reforçando o papel estratégico da commodity na economia nacional.