Detalhes da 'noitada' revelados
A revista Piauí publicou na quinta-feira (15) uma reportagem baseada em 125 mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O material mostra como o banqueiro coordenou os preparativos para receber o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, em seu tríplex no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo.
Preparativos e gastos
As mensagens indicam que Vorcaro utilizou pelo menos oito pessoas para organizar a chegada do magistrado, identificado nas conversas apenas pelas iniciais "KN". A equipe incluiu motorista, chef de cozinha, mordomo e faxineira. Segundo a apuração, os custos totais da operação giraram em torno de R$ 27 mil.
O ex-banqueiro também tratava de questões pessoais e logísticas, como pedir para remover um sofá da varanda por vergonha e acertar a presença de acompanhantes com uma agenciadora. Uma mensagem ao chef José Maria Meira previa: "Sexta churrasco animado".
Conflito entre lazer e crise bancária
Enquanto recebia o ministro, que permaneceu no local de cerca de 15h às 23h da sexta-feira de carnaval de 2025, Vorcaro lidava com a grave crise de liquidez do Banco Master. Na mesma tarde, ele recebeu notícias de que o depósito compulsório exigido pelo Banco Central havia saltado de R$ 800 milhões para R$ 1,25 bilhão, um aumento de R$ 450 milhões.
Nesse período, o banqueiro trocou mensagens com executivos do banco e com ex-diretor do BC, Paulo Sergio Souza, tentando articular soluções para a falta de dinheiro. Ele chegou a afirmar ter fechado a venda de uma carteira que resolveria a situação após o carnaval.
Defesa de Kassio Nunes Marques
Após a divulgação da matéria, Kassio Nunes Marques não se manifestou diretamente à imprensa, mas enviou uma resposta escrita à revista Piauí. O ministro negou qualquer troca de mensagens ou pedidos de favores a Vorcaro.
Ele afirmou que nunca votou a favor do banqueiro e até deu voto pela manutenção de sua prisão. Além disso, ressaltou que não autorizou terceiros a falar em seu nome e não pode ser responsabilizado por ações de outras pessoas.
