Desconfiança cresce entre quem mais precisa
A menos de uma semana do primeiro turno, 20% dos brasileiros dizem ter pouco ou nenhum interesse na eleição. O dado mais grave está no perfil desse grupo: o desinteresse chega a 32% entre os desempregados e a 28% entre quem recebe de um a dois salários mínimos, segundo recorte da pesquisa BTG/Nexus divulgada pelo Estadão na segunda-feira (28).
É um contrassenso que revela o tamanho da descrença. Quem está sem trabalho e quem vive com renda apertada teria razões de sobra para cobrar respostas nas urnas. Emprego, salário, preço dos alimentos e qualidade dos serviços públicos não são temas distantes: definem o que cabe no orçamento e as oportunidades que ainda restam.
O risco da indiferença
Se essas pessoas se afastam da eleição, não é porque a política não interfere em suas vidas, mas porque deixaram de acreditar que ela possa melhorar alguma coisa. Essa desesperança é compreensível, mas a indiferença tem graves consequências.
- Quando quem mais precisa de mudança abandona a disputa, sua voz perde força;
- Outros decidem em seu lugar;
- A eleição é o momento de escolher quem terá poder para definir prioridades.
Desistir não pune os políticos, apenas reduz a capacidade do eleitor de cobrá-los e de fazer a melhor - ou menos ruim - escolha. A urna não faz milagres; a omissão, porém, é garantia de que nada vai mudar.
Propostas concretas são necessárias
Cabe, claro, também aos candidatos encarar essa distância sem slogans vazios. Não basta pedir confiança a quem já ouviu promessas e continuou sem emprego ou com a renda insuficiente. É preciso apresentar propostas concretas, explicar como serão executadas e aceitar a cobrança dos eleitores.
Votar não garante que a vida vá mudar, obviamente. Até porque existem candidatos que estão mais preocupados com seu próprio sustento do que com a melhoria de vida da população. Por isso, abrir mão do voto entrega a decisão a outros e torna a mudança ainda menos provável.
Para quem está desempregado, para quem conta cada real e para quem já perdeu a esperança, votar conscientemente é uma forma de defender os próprios interesses e cobrar um futuro diferente.
