Uma análise dos gastos eleitorais na região de Rio Preto revelou uma disparidade absurda no custo por voto entre os candidatos a deputado federal e estadual. O valor mais alto chegou a R$ 833,33 por sufrágio, enquanto o menor foi de apenas 42 centavos. Os dados foram levantados pelo Diário, dividindo a receita declarada pelo total de votos obtidos.
Distorções nos números
No extremo superior da tabela, destaca-se uma candidata a deputada estadual do Podemos. Ela recebeu R$ 200 mil do partido e conquistou apenas 240 votos. Na outra ponta, um candidato do Novo obteve 1.260 votos com uma receita declarada de apenas R$ 533,08.
As candidaturas da região movimentaram cerca de R$ 39 milhões, boa parte oriunda de recursos públicos distribuídos pelo Fundão Eleitoral e pelo Fundo Partidário. Esse dinheiro não é privado e exige prestação de contas rigorosa à sociedade.
Fiscalização necessária
Embora não haja suspeitas comprovadas de irregularidade até o momento, a relação entre dinheiro recebido e votos conquistados serve como alerta para a fiscalização. Quando um partido injeta grandes somas em uma candidatura que não mobiliza eleitores, pode indicar desvio de verba ou uso de "laranjas" para beneficiar outros políticos considerados mais viáveis.
- O eleitor tem direito de saber como os partidos usam o dinheiro público;
- Apenas apresentar recibos não basta; é preciso comprovar serviços efetivos;
- A transparência é obrigatória, especialmente em um país com necessidades sociais urgentes.
O editorial reforça que tratar o financiamento da democracia com descaso é inaceitável. Prestar contas não é formalidade, mas uma obrigação legal e ética quando se utiliza cofres públicos.
